Vendido.
Quando Mauricio Ríos saiu daquele táxi do aeroporto com a sua amante, as fechaduras tinham sido trocadas, as contas bloqueadas, a escritura transferida e a vida que ele pensava estar a roubar-me já tinha desaparecido.
O que eu não compreendia na altura era que perder a casa era a menor parte do que eu estava prestes a perder.
Eram quase oito da noite quando tudo veio à tona.
A Cidade do México parecia dourada e cinzenta através das paredes de vidro do meu escritório em Polanco, as ruas lá em baixo ainda pulsando com o trânsito, os postes de luz a formar faixas entre torres de aço e pedra cara. Minha equipe acabara de fechar a maior aquisição do ano, o tipo de negócio pelo qual as pessoas do meu setor passam meses buscando e do qual se gabam durante toda a carreira. Todos os outros já tinham ido para casa horas antes. Eu ainda estava lá, com os saltos debaixo da mesa, o cabelo preso num coque frouxo, encarando planilhas e assinaturas enquanto a adrenalina se esvaía, deixando apenas o cansaço.
Esse se tornou o ritmo da minha vida.
Construir.
Trabalhar.
Receber.
Pagar.
Repetir.
Meu marido apreciava esse ritmo sem ouvir a música que tocava ao fundo.
Mauricio gostava de luxo como algumas pessoas gostam de ar. Considerava-o como algo natural. Confortava-se como se tivesse nascido com ele. O carro importado, a filiação ao clube privado, o relógio que ele ostentava nos almoços de negócios, a mansão em Bosques de las Lomas com sua entrada de pedra polida e sebes impecavelmente cuidadas, a pensão mensal que eu enviava para a mãe dele, as férias, os jantares, os funcionários domésticos, as pequenas emergências que sempre acabavam sendo caras quando me atingiam.