"Daniel?"
"Senhora? A senhora sofreu queimaduras? Tem algum problema de saúde?"
Ele olhou-me diretamente nos olhos. Não havia dúvidas. Tinha cabelo levemente encaracolado e queixo pontudo, tal como Daniel. Mas a principal característica que se destacava eram os seus olhos de cores estranhas, um azul e o outro castanho.
Heterocromia. Assim como Daniel, que herdou a doença da avó.
Eu não sabia como era possível, mas não tinha dúvida alguma: aquele jovem era meu filho!
A característica que mais chamava a atenção eram seus olhos de cor incomum.
"Senhora?" Ele colocou a mão no meu ombro.
Inspirei e senti como se fosse a primeira vez que respirava em muito tempo.
Havia apenas uma pergunta importante.
"Quantos anos você tem?", perguntei.
Ele inclinou a cabeça. "O quê? Eu tenho dezenove anos."
Dezenove. A mesma idade que Daniel teria.
Havia apenas uma pergunta importante.
"Tyler? Está tudo bem? Ouvi um estrondo alto..." disse uma voz feminina vinda de algum lugar dentro da casa.
O jovem se virou. "Estou bem, mãe. Mas tem uma mulher aqui; ela deixou cair alguma coisa."
Mãe. Ouvir ela dizer essa palavra para outra pessoa foi a sensação mais estranha.
Ele começou a recolher os pedaços quebrados do prato. Uma mulher apareceu na porta atrás dele.
O choque inicial estava passando. Forcei um sorriso.
"Sinto muito por toda essa bagunça", eu disse. "Meu filho. Se ele tivesse tido a chance de crescer, teria se parecido muito com o seu filho."
Ouvir outra pessoa dizer aquela palavra foi uma sensação estranhíssima.
Tyler (era Tyler, não Daniel, a menos que por algum milagre fosse Daniel) franziu a testa e endireitou-se. "Sinto muito pela sua perda. Não se preocupe com a bagunça. Não tem problema nenhum."
Mas a mulher permaneceu completamente imóvel, como um rato que acaba de perceber que o gato o está observando. Ela olhou para mim, depois para o filho… e finalmente para os olhos dele.
"Sinto muito pela sua perda, mas você precisa ir. Temos muito o que fazer."
Então ele deu um passo à frente, puxou Tyler para dentro de casa e bateu a porta da frente na cara dele.
Ele olhou para mim, depois para o filho... e finalmente para os olhos dela.
Fiquei parado naquela varanda por um instante que não consigo medir, tentando entender o que acabara de acontecer.
Eu também conseguia ouvi-los processando a informação: vozes abafadas que não chegavam até mim o suficiente para que eu conseguisse entender o que estavam dizendo.
Então me virei e corri de volta para casa.
Veja o resto na próxima página.