“Ela achava que eu ainda a culpava.”
“Realmente?”
Um sorriso doloroso surgiu.
“E daí? Claro.”
Ele recostou-se na cadeira.
“Eu tinha dezesseis anos. Meu pai era meu herói. Ele treinava meu time de beisebol. Ele me ajudava com a lição de casa. Ele ia a todos os jogos.”
“Quando Sloane deu um passo à frente, pareceu impossível.” As palavras seguintes soaram fisicamente dolorosas. “Então eu a transformei na vilã.”
Silêncio.
“Eu não fui o único.” Sua risada era sem humor. “A cidade inteira fez isso.”
Imaginei Sloane parada na padaria, assustada e cautelosa, olhando por cima do ombro antes de responder a uma pergunta simples. De repente, tudo fez sentido.
“Você chegou a se desculpar?”
A resposta me surpreendeu. Não porque eu achasse que ele não tivesse vontade, mas porque eu presumia que a culpa o teria levado a fazer isso anos atrás.
“Eu tentei uma vez.” Ele esfregou a testa. “Fui até a casa dele. Fiquei sentado na minha caminhonete por quase uma hora.”
“O que aconteceu?”
“Deixei.”
A resposta me magoou, não porque eu o tenha desculpado, mas porque não o fiz.
“Eu disse a mim mesmo que seria melhor não saber nada sobre mim.” Ele balançou a cabeça. “A verdade é que eu era um covarde.”
Ryan olhou para cima.
“Onde você está indo?”
Peguei minhas chaves.
“Para encerrar uma conversa.”
“Elsie.”
“Eu voltarei.”
“Elsie.”
A gerente da padaria me reconheceu. Deixei meu número de telefone e um bilhete curto pedindo para a Sloane ligar se quisesse conversar. Sinceramente, eu não esperava nada.
Uma hora depois, meu telefone tocou.
Antes que eu percebesse, estava sentada em frente à Sloane em um pequeno parque a dois quarteirões de distância. Ela parecia nervosa. Eu entendi o porquê.
“Ryan te contou.”
Não era uma pergunta.
Assenti com a cabeça.
Por alguns segundos, Sloane encarou seu café. Então, deu uma risadinha suave. Não havia alegria naquele som.
A frase me surpreendeu.
“Afinal?”
Ela olhou para cima.
“Afinal, é ainda mais importante.”
Eu não entendi. Sloane pareceu perceber isso.
“Sabe o que é estranho?” Ela sorriu tristemente. “As pessoas que mais te magoaram raramente são aquelas com quem você se preocupa.”
As palavras permaneceram entre nós.
Então ele suspirou.
“Passei anos esperando que Ryan descobrisse isso.”
Senti um nó na garganta.
Pensei na tatuagem e na culpa que Ryan carregava todos os dias.
“Ele descobriu isso.”
Sloane desviou o olhar.
“Um pouco atrasado.”
Não pude argumentar.
Permanecemos em silêncio por um tempo.
Então eu perguntei: “Se ele se desculpar agora, isso fará alguma diferença?”
Sloane olhou para mim. Não estava zangada. Nem amargurada.
Apenas cansado.
Foi a resposta mais honesta que eu poderia dar.
Três dias depois, Ryan bateu na porta de Sloane. Eu fiquei no carro. Essa não era a minha conversa.
Nunca tinha sido.
Do lugar onde eu estava sentado, vi a porta se abrir. Então parou. Nenhum dos dois se moveu por um longo momento. Vinte anos de história os separavam.
Finalmente, Sloane deu um passo para o lado.
Ryan entrou.
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