Desesperada, ajoelhei-me diante de Julian para implorar por sua ajuda. Mas, em vez de me mostrar misericórdia, ele me recebeu com um sorriso diabólico.
“Eu te dou cinco milhões pela sua mãe, Clara”, ofereceu Julián com um sorriso, dando um gole de vinho. “Mas com uma condição. Amanhã você se casará com um homem que eu escolher para você. Um mendigo que encontrarei na rua. E será em uma igreja suntuosa, com toda a imprensa presente e nossos amigos bilionários convidados. Quero que o mundo inteiro veja o quão patética você é e o quão baixo Clara Valderrama caiu!”
Para salvar minha mãe, fechei os olhos e concordei. Vendi minha alma e minha dignidade a um monstro.
O casamento da vergonha
Chegou o dia do casamento. A cerimônia foi realizada em uma grande catedral, repleta de membros da alta sociedade, políticos e jornalistas que Julian havia contratado para cobrir “O Casamento do Mendigo e da Princesa”. Julian estava sentado na primeira fila, encantado com sua obra-prima.
Quando as portas se abriram, entrei vestindo um simples vestido branco, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu podia ouvir pessoas rindo e me insultando.
No final do altar estava o homem com quem eu ia me casar. Seu nome era Lando.
Ele vestia um terno muito sujo e esfarrapado que cheirava a esgoto. Seus longos cabelos despenteados e seu rosto, coberto por uma barba espessa e fuligem, tremiam; suas costas estavam curvadas, como as de um cão acostumado a maus-tratos.
“Meu Deus, que nojo! O noivo cheira a lixo!”, exclamou a nova esposa de Julian, e toda a igreja caiu na gargalhada.
Ao chegarmos ao altar, olhei para Lando. Esperava ver alguém ingênuo, mas fiquei surpresa quando nossos olhares se encontraram. Sob a fuligem e os cabelos despenteados, seus olhos eram destemidos. Eram penetrantes, serenos e transbordavam uma força silenciosa.
A explosão do altar
A cerimônia começou. Enquanto o padre lia as palavras, Julian ria incontrolavelmente ao fundo.
“Antes de declará-los marido e mulher”, disse o padre, “há alguém que se oponha a este casamento?”
“Eu me oponho a isso.”
Uma voz profunda, fria e ressonante interrompeu o murmúrio de risos que ecoava na catedral. Não vinha dos convidados. Vinha do mendigo parado diante dele. Lando.
Julian franziu a testa. Levantou-se abruptamente da cadeira. “Ei, você está morrendo de fome! O que está fazendo? Eu te paguei dez mil para seguir o roteiro! Vamos, vamos ao casamento!”
Mas Lando permaneceu impassível. Lentamente, ergueu as mãos. Diante de centenas de convidados e jornalistas, retirou a peruca suja e desgrenhada. Arrancou a barba falsa que lhe cobria o rosto. Tirou um lenço úmido do bolso e limpou a fuligem das bochechas e da testa.
Todos gritaram horrorizados. Até eu recuei em choque.