Não respondi imediatamente.
Porque eu não sabia.
"Não sei", eu finalmente disse. "Mas acho que sim."
O tom da operadora endureceu instantaneamente.
—Mantenham-se na fila. Os agentes estão a caminho. Não o confrontem diretamente. Entendido?
Assenti com a cabeça e então percebi que ele não conseguia me ver.
-Sim.
Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvi-lo nos meus ouvidos.
Lá dentro, ouvi o alarme do temporizador apitar.
Um som metálico e agudo.
Então, silêncio.
Então, o murmúrio da água.
Me afastei da porta, encostando-me na parede como se pudesse desaparecer nela. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei meu celular cair.
"Senhora, onde a senhora está neste momento?", perguntou a telefonista.
"No corredor", sussurrei. "Do lado de fora do banheiro."
—Certo. Fique aí. A ajuda está próxima.
Os segundos pareceram uma eternidade.
Então…
Passos.
O abastecimento de água foi cortado.
A porta se abriu.
Eu me forcei a parecer normal.
Mark foi o primeiro a sair, com a toalha sobre o ombro e aquele mesmo sorriso despreocupado.
—Sophie já está quase terminando— disse ela casualmente. —Você não precisava esperar aqui em cima.
Eu fiquei olhando para ele.
O rosto dela.
O homem com quem ela dividia a cama há anos.
E pela primeira vez…
Não senti nada familiar.
Apenas distância.
Simplesmente frio.
"Eu só queria dar boa noite", disse eu, com uma voz firme que surpreendeu até a mim mesma.
Ele olhou para mim por um segundo.
Tempo demais.
Como se ele estivesse tentando ler alguma coisa.
Então ele assentiu com a cabeça. "Ele já sai."
Ele passou por mim.
E eu senti o cheiro novamente.
Aquele mesmo aroma fraco e estranho.
Doce.
Veja o resto na próxima página.