Minha filha de cinco anos sempre tomava banho com meu marido. Eles ficavam lá por mais de uma hora todas as noites. Quando finalmente perguntei o que eles estavam fazendo, ela caiu no choro e disse: "Papai disse que eu não posso falar sobre brincadeiras de banho." #4 #85

Não respondi imediatamente.

Porque eu não sabia.

"Não sei", eu finalmente disse. "Mas acho que sim."

O tom da operadora endureceu instantaneamente.
—Mantenham-se na fila. Os agentes estão a caminho. Não o confrontem diretamente. Entendido?

Assenti com a cabeça e então percebi que ele não conseguia me ver.

-Sim.

Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvi-lo nos meus ouvidos.

Lá dentro, ouvi o alarme do temporizador apitar.

Um som metálico e agudo.

Então, silêncio.

Então, o murmúrio da água.

Me afastei da porta, encostando-me na parede como se pudesse desaparecer nela. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei meu celular cair.

"Senhora, onde a senhora está neste momento?", perguntou a telefonista.

"No corredor", sussurrei. "Do lado de fora do banheiro."

—Certo. Fique aí. A ajuda está próxima.

Os segundos pareceram uma eternidade.

Então…

Passos.

O abastecimento de água foi cortado.

A porta se abriu.

Eu me forcei a parecer normal.

Mark foi o primeiro a sair, com a toalha sobre o ombro e aquele mesmo sorriso despreocupado.

—Sophie já está quase terminando— disse ela casualmente. —Você não precisava esperar aqui em cima.

Eu fiquei olhando para ele.

O rosto dela.

O homem com quem ela dividia a cama há anos.

E pela primeira vez…

Não senti nada familiar.

Apenas distância.

Simplesmente frio.

"Eu só queria dar boa noite", disse eu, com uma voz firme que surpreendeu até a mim mesma.

Ele olhou para mim por um segundo.
Tempo demais.

Como se ele estivesse tentando ler alguma coisa.

Então ele assentiu com a cabeça. "Ele já sai."

Ele passou por mim.

E eu senti o cheiro novamente.

Aquele mesmo aroma fraco e estranho.

Doce.

 

 

Veja o resto na próxima página.