A fotografia não era de Lucas.
Essa foi a primeira coisa que minha mente registrou e, por um estranho segundo, um alívio me invadiu.
Então, observei com mais atenção.
Era uma foto da nossa casa.
Nossa porta da frente.
Nossa varanda.
A foto foi tirada do outro lado da rua, num ângulo ligeiramente inclinado, como se o fotógrafo estivesse sentado num carro estacionado debaixo do bordo perto da caixa de correio da Sra. Bellamy.
Inalei o ar.
A foto mostrava Lucas e eu saindo de casa juntos naquela manhã, cada um de nós vestido para o aeroporto. Lucas estava sorrindo. Ele olhava para baixo, fingindo procurar algo na minha bolsa. Era uma cena comum, quase entediante.
Só que alguém estava nos observando.
Ampliei a imagem com dedos trêmulos.
No reflexo da janela da sala de estar, mal visível por trás da coluna da varanda, havia uma figura parada perto da porta lateral.
Uma mulher.
Casaco escuro. Óculos de sol. Uma das mãos repousa sobre a barriga arredondada.
Melanie Harper.
Fiquei olhando fixamente até meus olhos arderem.
Meu telefone vibrou novamente.
Outra mensagem.
“Não transfira o dinheiro ainda.”
A sala pareceu inclinar-se.
Olhei do meu celular para a tela do meu laptop, onde o botão de confirmação ainda estava lá, aguardando confirmação.
$ 720.000,00
Um clique.
Um segundo.
Uma decisão que pode mudar tudo.
Eu queria pressioná-lo. Cada instinto meu gritava para proteger o que era meu antes que Lucas pudesse tocar. Mas a mensagem havia sido transmitida com clareza através da minha raiva, deixando a incerteza para trás.
Quem era essa pessoa?
Como eles sabiam o que eu estava prestes a fazer?
Meu polegar pairou sobre o teclado.
"Quem é essa pessoa?", escrevi.
Três pontos apareceram quase imediatamente.
Então ele desapareceu.
Então ele apareceu novamente.
Finalmente, a resposta chegou.
“Alguém que conhece Lucas não é o único que mente.”
Sentei-me devagar.
A casa parecia diferente agora. Silenciosa demais. Aberta demais. De repente, eu percebia cada pequeno som: o barulho da geladeira na cozinha, o tique-taque fraco do relógio de parede, o latido distante de um cachorro em algum lugar da rua.
Durante três dias, achei que entendia a natureza da traição. Lucas havia mentido. Lucas tinha planejado sair. Lucas tinha uma amante grávida. Lucas queria nosso dinheiro.
Era feio, mas era simples.
De repente, nada parecia simples.
Meu telefone tocou.
Número desconhecido.
Deixei tocar duas vezes, encarando a tela como se pudesse revelar o rosto de quem estava ligando, se eu tivesse uma boa aparência.
Veja o resto na próxima página.