"E quem vai pagar por isso?"
Coloquei o contrato sobre a mesa.
"Seu pai. Com sua conta secreta."
Esteban empalideceu.
"Você não tem acesso a essa conta."
"Não. Meu advogado pode solicitar que o tratamento dele seja coberto por seus próprios recursos. E até que isso seja resolvido, não farei mais plantões de 24 horas gratuitos."
Claudia verificou a cama do hospital, o cateter, os medicamentos e o caderno onde eu anotava minha rotina.
"Sra. Brenda, a senhora estava fazendo isso sozinha?"
Assenti com a cabeça.
"Cinco anos."
Ele olhou para mim com uma mistura de respeito e tristeza.
"Isto não é sustentável."
Quase chorei.
Não por causa de Esteban.
Para mim.
Porque tudo o que foi preciso foi um estranho dizer uma frase simples para confirmar o que eu vinha negando a mim mesma há anos.
Não era sustentável.
Não era amor.
Era exaustão disfarçada de virtude.
O IMSS (Instituto Mexicano de Seguro Social) possui até documentos que descrevem como os cuidadores auxiliam em atividades básicas como alimentação, banho, vestuário, locomoção e uso do banheiro, e eu fazia tudo isso incansavelmente, sem receber nada em troca e sem gratidão.
Esteban me olhou atentamente.
"Você vai me deixar com um estranho?"
"Não. Vou deixar você com um profissional."
"Você é minha esposa."
"E você me chamou de servo voluntário."
Tomás elevou a voz.
"Meu país está na cadeia de Rodes. Vocês não podem abandoná-lo!"
Aproximei-me dele.
"Abandono é deixar uma mulher com cateteres, lágrimas, divisões, gritos e uma cama de hospital na sala de estar enquanto você divide a vida dela. É por isso que ela precisa de cuidados."
Ele não sabia o que dizer.
Porque as palavras gentis sempre lhes pertencem.
Família.
Lealdade.
Sacrifício.
Agora ele estava aprendendo sobre os outros.
Direitos.
Veja o resto na próxima página.