O que os médicos descobriram mudou tudo.
Durante alguns segundos após o médico falar, não ouvi mais nada.
Essa frase simples ecoa na minha cabeça.
Tem algo nela.
Minhas mãos ficaram geladas. Maya chorava ao meu lado, mas parecia que o ambiente tinha se afastado. Como se eu estivesse testemunhando o desmoronamento da vida de outra pessoa.
"Por favor", eu disse, com a voz trêmula. "Apenas me diga o que é."
O médico respirou fundo e lentamente.
"É uma massa", disse ele cautelosamente. "No abdômen dela."
Essa palavra me tocou mais profundamente do que eu imaginava.
Uma missa.
Eu já tinha ouvido isso antes. Na televisão. Em histórias de outras pessoas.
Nunca no meu.
A verdade para a qual eu não estava preparado.
Eles explicaram tudo devagar, com delicadeza, como se palavras gentis pudessem facilitar as coisas.
Os exames revelaram um grande tumor que estava comprimindo seus órgãos. Era por isso que ela não conseguia comer, por isso que sentia tonturas e por isso que sentia dores.
Isso não aconteceu da noite para o dia.
Ela havia crescido.
Enquanto levávamos uma vida normal,
enquanto eu acreditava que tudo estava bem,
enquanto minha filha tentava ser corajosa e suportar uma provação pela qual nenhuma criança deveria jamais ter que passar…
"Quanto tempo?", perguntei.
O médico hesitou.
"Meses... ou até mais."
Mês.
Olhei para Maya e, de repente, cada momento se repetiu na minha cabeça: os jantares silenciosos, os suéteres grandes, o jeito como ela evitava meu olhar.
Ela não estava exagerando.
Ela estava sofrendo.
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