Dentro, um anel simples de um hordou e uma carta. Sua última. Amina, se você está lendo estas palavras, significa que eu parti. Não deixe que a dor a aprisione. Eu sei que você se culpa, mas não se culpe. Amar você foi o presente mais precioso da minha vida. Parto, levando seu nome em meu coração.
Um dia, em algum lugar, nos encontraremos novamente, mas em um lugar onde nada jamais nos separará. Ela não conseguiu terminar a carta. Desabou, agarrando a caixa contra o peito, como se, apertando-a com mais força, pudesse mantê-lo ali por mais um tempo. Como se seus braços pudessem impedir que a morte o levasse para longe demais.
A partir daquele dia, sua vida nunca mais foi a mesma. Ela caminhava, respirava, mas metade dela estava em outro lugar, perdida num lugar para onde não podia mais ir. Todas as noites, chorava até adormecer. Todas as manhãs, acordava com um vazio no estômago, na cabeça, na alma. Encontrava refúgio nas cartas que escrevia para ele.
Longas páginas onde lhe contava sobre seus dias, sua dor, sua saudade. Guardava-as na mesma caixa que o anel dele. A única coisa que lhe restava dele. Um dia, sua mãe sentou-se ao seu lado. Tentou sorrir. "Amina, você ainda é jovem? Pode se casar de novo." Pode recomeçar a sua vida. Amina respondeu com um sorriso triste, porque, no fundo, sua mãe não entendia que recomeçar não significava mais nada para ela.
Como poderia amar novamente quando seu coração já pertencia a um homem que não estava mais lá? Meses se passaram, depois anos. O mundo ao seu redor acreditava que ela estava se curando. Ninguém sabia que, todas as noites, ela se sentava ao lado de uma camisa velha que Karim costumava usar. Ninguém sabia que aquela caneca lascada, a que ela tanto desprezara, havia se tornado o tesouro que ela guardava junto ao peito quando a saudade se tornava insuportável.
Quando olhava para o céu, sentia como se pudesse pressentir a presença dele. Imaginava-o sob uma luz suave, observando-a com aquele mesmo sorriso sereno, como se tentasse lhe dizer que nem tudo estava perdido. Então, certa noite, sonhou com ele. Um jardim vasto e tranquilo, o ar puro, e ele, vestido de branco, irradiando uma serenidade que ela jamais vira nele, olhando para ela com ternura.