Um pensamento gelou Amina. Se sua mãe tinha tanto medo de que ela descobrisse algo, o que exatamente Karim estava escondendo? A mesa tremeu com o impacto. Sua mãe acabara de lhe dar um tapa com a palma da mão. Seu olhar tinha uma dureza que Amina já não reconhecia. Ela lhe disse que a vida não esperava por sonhos, que enquanto pensava no futuro, contava os dias de cada mês como uma sombra que os engolia por completo.
Karim Dialo era a única solução que ela conseguia enxergar. A palavra pairava no ar como metal em brasa. A voz de Amina falhou enquanto implorava à mãe mais uma vez para que parasse. Ela não tinha mais argumentos, apenas um medo pesado subindo à sua garganta. Mas sua mãe sussurrou que ela estava errada, que nada em sua vida seria destruído.
Que um dia ela entenderia. Naquela noite, Amina desabou em seu quarto. Sua garganta apertou, seu rosto pressionado contra um travesseiro encharcado de lágrimas. Cada soluço ecoava dentro dela como uma admissão de fraqueza. Ela tentou imaginar o homem que queriam lhe impor. Cabelos despenteados, pele queimada de sol, roupas rasgadas, aquele cheiro de poeira e cansaço — um arrepio percorreu sua espinha.
Como ela poderia compartilhar sua vida com ele? Como poderia chamá-lo de marido? Pensamentos descontrolados a invadiram: fugir, se esconder em algum lugar, encontrar uma saída, qualquer jeito. Mas por trás de seus pensamentos, o rosto cansado de sua mãe sempre retornava, carregando a responsabilidade que ela se recusava a reconhecer. Então, ela fechou os olhos e murmurou uma oração, esperando que um milagre pusesse fim a tudo.
Nada se moveu, nem mesmo um sopro. Alguns dias depois, Amina estava sentada em uma pequena plataforma, vestida de branco. O vestido deslizava contra sua pele como um tecido frio e pesado, quase como uma mortalha. Olhares a perfuravam como lâminas. As pessoas cochichavam pelas suas costas. Julgavam-na, tinham pena dela. Às vezes, até riam.
Em seu campo de visão, Karim estava ali. Estava barbeado, completamente barbeado, mas ainda preso à imagem que todos tinham dele. Ele tentou pegar sua mão. Ela recuou imediatamente. Quando as palavras "casamento" foram pronunciadas, algo dentro dela se quebrou. Uma ruptura silenciosa e invisível que muda tudo para sempre. Estava feito.
Ela se tornara esposa daquele homem que temia, não por amor, mas por obrigação. E naquele exato momento, ela compreendeu que seus sonhos, seus planos, tudo o que imaginara, acabara de ser extinto, ou pelo menos, era nisso que ainda acreditava naquele instante. A noite caiu como um manto gélido.
Ela se deitou no colchão fino daquela casa frágil, que rangia à menor brisa. Karim estava sentado imóvel em um canto, como se temesse que o menor movimento a assustasse ainda mais. Ela se enterrou no travesseiro, abafando os soluços, e jurou a si mesma, entre respirações entrecortadas, que jamais o amaria, jamais, nem hoje, nem amanhã.
Uma promessa feita em meio à dor, uma promessa que ela não sabia que já estava fadada ao fracasso. Ela não sabia que, cinco dias depois, um segredo destruiria tudo em que acreditava. Aquela primeira noite, a que os casais normalmente aguardam com alegria, não passou de um abismo escuro para Amina. Ela permaneceu na beira da cama, ainda vestindo aquele vestido branco amassado.