Eu detestava o Ensino Médio porque a Rainha do Baile tornou minha vida um inferno – 12 anos depois da formatura, ela me deu match no Tinder e não fazia a menor ideia de quem eu era.

Trinta anos. Um metro e noventa. Uma carreira que construí do zero.

Um homem que meu eu mais jovem não teria reconhecido.

A voz dela ainda me arrepiava depois de todos esses anos.

Às vezes eu pensava naquele garoto. O menino grandalhão na última fileira, com o capuz do moletom puxado para baixo, rezando para não ser chamado. Aquele que almoçava na biblioteca porque o refeitório parecia um palco.

"Ei, grandão, você comeu a máquina de refrigerantes inteira de novo?"

A voz dela ainda me arrepiava depois de todos esses anos. Madison. A rainha do baile. A garota que todos os professores adoravam e que todos os garotos desejavam. A garota que tinha um talento especial para me encontrar em qualquer corredor.

Lembrei-me do dia em que desisti.

No segundo ano do ensino médio, depois que ela fez a turma inteira rir dos meus sapatos, fui para casa e abri um livro didático em vez de chorar. Livros não riem. Livros me ajudaram a passar pela faculdade, e a faculdade me tirou de lá.

Eu tinha mudado tudo em mim.

"Você realmente deveria vir para a reunião de ex-alunos", minha mãe disse ao telefone no mês passado.

"Nem pensar", eu disse a ela.

"Daniel, querido, as pessoas mudam."

"Algumas pessoas mudam", eu disse.