Trinta anos. Um metro e noventa. Uma carreira que construí do zero.
Um homem que meu eu mais jovem não teria reconhecido.
A voz dela ainda me arrepiava depois de todos esses anos.
Às vezes eu pensava naquele garoto. O menino grandalhão na última fileira, com o capuz do moletom puxado para baixo, rezando para não ser chamado. Aquele que almoçava na biblioteca porque o refeitório parecia um palco.
"Ei, grandão, você comeu a máquina de refrigerantes inteira de novo?"
A voz dela ainda me arrepiava depois de todos esses anos. Madison. A rainha do baile. A garota que todos os professores adoravam e que todos os garotos desejavam. A garota que tinha um talento especial para me encontrar em qualquer corredor.
Lembrei-me do dia em que desisti.
No segundo ano do ensino médio, depois que ela fez a turma inteira rir dos meus sapatos, fui para casa e abri um livro didático em vez de chorar. Livros não riem. Livros me ajudaram a passar pela faculdade, e a faculdade me tirou de lá.
Eu tinha mudado tudo em mim.
"Você realmente deveria vir para a reunião de ex-alunos", minha mãe disse ao telefone no mês passado.
"Nem pensar", eu disse a ela.
"Daniel, querido, as pessoas mudam."
"Algumas pessoas mudam", eu disse.