Eu detestava o Ensino Médio porque a Rainha do Baile tornou minha vida um inferno – 12 anos depois da formatura, ela me deu match no Tinder e não fazia a menor ideia de quem eu era.

Eu mudei. Eu tinha mudado tudo em mim. A academia quatro manhãs por semana. A terapia às terças. As amizades em que eu realmente confiava. Marcus, que me chamava a atenção quando eu precisava.

O orgulho silencioso de me olhar no espelho sem hesitar.

Mas o menino ainda estava lá dentro, em algum lugar. Ele aparecia em momentos estranhos. Quando um desconhecido riu alto demais atrás de mim na rua. Quando alguém disse a palavra "esquisito" ao passar.

"Baixa o app, cara. Um encontro."

Quando passei por uma foto de uma loira alta e senti meus ombros repuxarem sem motivo aparente.

Suspirei e peguei meu celular. Marcus estava me pressionando há semanas.

"Baixa o app, cara. Um encontro. Você não precisa casar com ninguém."

"Eu odeio essas coisas", eu disse a ele.

"Você odeia tentar. Há uma diferença."

Ele não estava errado. Abri o Tinder e deixei meu polegar fazer o trabalho. Deslizar. Deslizar.

Uma mulher segurando um tapete de ioga. Uma mulher segurando uma margarita. Uma mulher segurando um cachorro que claramente não era dela.

Então meu polegar parou no meio do movimento.

"Isso é humilhante", murmurei para ninguém em particular.

Ri de mim mesma, da cozinha silenciosa, do homem de trinta anos passando o dedo na tela por estranhos porque seu melhor amigo o havia pressionado. Havia algo quase pacífico nisso. Sem grandes consequências. Apenas curiosidade.

Então meu polegar parou no meio do movimento.

Endireitando a postura, senti a temperatura do ambiente mudar, ou talvez apenas dentro de mim.

O rosto na tela sorriu de volta, como costumava sorrir no corredor, pouco antes de dizer algo que eu carregaria por anos.

Madison.

Segundos depois, a tela se iluminou.