Era uma ferida que jamais cicatrizaria.
Minha mãe escrevera:
"Vi o colar da minha mãe pôr fim a uma amizade de uma vida inteira entre duas irmãs. Não permitirei que faça o mesmo com meus filhos. Deixem-me ir. Deixem que eles cuidem um do outro."
Fechei o diário e o guardei comigo por muito tempo.
Ela não queria que o colar fosse enterrado com ela por superstição ou sentimentalismo. Ela queria que fosse enterrado por amor — por Dan e por mim.
Liguei para Dan naquela noite e li a anotação para ele palavra por palavra. Quando terminei, a linha ficou tão silenciosa que verifiquei se a ligação não havia caído.
Ela não queria que o colar fosse enterrado com ela por superstição ou sentimentalismo.
"Eu não sabia", disse ele finalmente, com a voz desprovida de algo que eu não ouvia há anos.
"Eu sei que você não sabia."
Ficamos um tempo ao telefone, deixando o silêncio falar por si.
Perdoei Dan não porque o que ele fez foi insignificante, mas porque nossa mãe passou sua última noite na Terra tentando garantir que nunca nos separássemos.
Não perdoei Dan porque o que ele fez foi insignificante.