Ele simplesmente colocou a caneca na mesa e me olhou como se eu tivesse trazido algo sujo para dentro de casa.
"Isso é impossível."
Minha garganta se fechou.
"Como assim, impossível?"
Diego deu uma risada fria.
"Fiz vasectomia há dois meses, Laura. Não sou estúpido."
Aquela palavra me atingiu como um tapa.
Estúpida.
Era assim que o homem que eu amei por oito anos me chamava.
O mesmo homem que dissera que a cirurgia era "para nós", porque o dinheiro estava curto, porque poderíamos "decidir depois".
Lembrei-o de que o médico dissera que não era imediato.
Que um exame de acompanhamento era necessário.
Que a gravidez ainda poderia acontecer.
Mas Diego já havia parado de me ouvir.
Seu veredicto já estava estampado em seu rosto.
Ele apontou. "Quem é ele?", perguntou.
Congelei.
"O quê?"
"O pai. Diga-me quem ele é."
Senti um enjoo.
Não por causa do bebê.
Por causa dele.
Naquela noite, ele fez as malas.
Algumas roupas.
Apenas o suficiente para me avisar que outro lugar já o esperava.
Ela estava na cozinha com seu café, agindo como se nada no mundo pudesse perturbar sua perfeita calma.
Ela não havia dormido.
Diego não sabia. Claro que, na realidade, havia muitas coisas que ele já não sabia sobre mim. Conhecer alguém exigia atenção, e Diego tinha parado de me dar atenção muito antes de eu perceber onde a tinha deixado.
A consulta com o Dr. Salinas deveria ser simples.
Rápido.
Privado.
Mas Diego insistiu em vir, e ela não conseguiu impedi-lo a tempo.
"Sr. Diego", disse o Dr. Salinas em tom firme, "antes de dizer qualquer outra coisa, o senhor precisa olhar o que aparece nesta tela."
Diego soltou uma risadinha curta.
É o tipo de risada que um homem dá quando tem absoluta certeza de que está certo.
"De quantos meses ela está grávida?"
A Dra. Salinas virou o monitor na direção dele sem alterar sua expressão.
“A esposa dele não está grávida de seis semanas. Nem mesmo de sete. Com base nas medidas e datas, ela está grávida de aproximadamente doze semanas.”
O silêncio tomou conta da sala.
Doze.
O número ficou gravado no meu coração.
Diego piscou.
Pela primeira vez em semanas, sua confiança começou a ruir.
“Isso não é possível”, disse ele.
O médico tocou na tela. "Estas são as medidas. Não se baseiam em opiniões."
Paola, que o seguira até o quarto como se tivesse algum direito de estar ali, parou de mexer no cabelo.
“Mas ele foi submetido a uma cirurgia há dois meses”, disse ela.
"Exatamente", respondeu o Dr. Salinas. "E esta gravidez começou antes disso."
Algo dentro de mim relaxou.
Não completamente.
Não basta sentir-se livre.
Mas o suficiente para respirar.
Diego aproximou-se da tela. "Não. As datas devem estar erradas."
O Dr. Salinas olhou para ele com firmeza e serenidade.
"Pode ser alguns dias, mas não um mês inteiro. Além disso, uma vasectomia não esteriliza o homem imediatamente. São necessários exames de acompanhamento. Foi realizado um espermograma?"
Diego não disse nada.
Lá estava.
A verdade.
Pequeno, simples e devastador.
Paola se virou para ele. "Você não fez o teste?"
Cerre os dentes. "Não era necessário."
—Sim —disse o médico—. Foi assim mesmo.
Eu ainda estava deitada ali, com gel frio na barriga e meu coração batendo forte.
"Então", sussurrei, "será que o bebê foi concebido antes da vasectomia?"
O Dr. Salinas olhou para mim com mais gentileza.
"Com base no que vemos hoje, essa é a explicação mais provável."
Diego olhou fixamente para o chão.
Eu não.
Nunca para mim.
Como se ele não suportasse olhar para a mulher que havia condenado por seu orgulho e ignorância.
Então o médico moveu a sonda novamente.