"O que você faz?"
O agente Beckett fechou seu caderno.
"Neste momento, acreditamos que Mark usou você para acessar o que quer que estivesse no subsolo."
As palavras foram se instalando aos poucos.
Eu te usei.
Entendi essa parte.
Mark não escolheu meu jardim por ser maior. Ele não se importava com a festa de aniversário. Ele sabia que eu não estaria lá.
Ele havia planejado tudo levando em consideração a minha gentileza.
"Quero saber o que havia no contêiner", eu disse.
A expressão do policial Gerald se tornou tensa.
"Nós também."
Os agentes ficaram por quase duas horas. Tiraram fotografias, mediram o buraco e me fizeram as mesmas perguntas de maneiras diferentes.
Mark já esteve alguma vez no meu jardim?
Você o viu enquanto vigiava a propriedade?
Eu tinha visto mais alguém perto da minha casa?
O antigo proprietário alguma vez mencionou que havia algo enterrado ali?
Minhas respostas foram inúteis.
Eu havia comprado a casa quatro anos antes de um senhor idoso chamado Walter. Pouco depois da venda, ele se mudou para um lar de idosos. Nunca havíamos conversado sobre nada que estivesse debaixo do gramado.
Antes de partir, o agente Gerald me avisou para não tocar no chão nem entrar no buraco.
“Alguém do nosso departamento estará de volta amanhã de manhã”, disse ele.
"E Mark?"
"Estamos tentando localizá-lo."
É perigoso?
O policial Gerald hesitou.
"Não sabemos."
Essa resposta me deixou acordado a noite toda.
Qualquer ruído me assustava. Canos estalavam dentro das paredes. Um galho roçava na janela da cozinha. Um carro diminuiu a velocidade perto de casa por volta das duas da manhã, e eu o observei por trás da cortina até que ele fosse embora.
Eu não conseguia parar de pensar em Mark parado na minha varanda.
Ele havia sorrido.
Ele me agradeceu.
Ele prometeu que tudo ficaria limpo.
Na manhã seguinte, ele estava exausto e furioso.
A polícia voltou com uma detetive chamada Priya. Ela parecia ter uns quarenta anos e falou comigo de forma mais gentil do que os policiais.
Ela sentou-se à minha frente na mesa da cozinha.
“Encontramos a caminhonete do Mark”, disse ele.
"Onde?"
"Em um depósito localizado a cerca de 65 quilômetros de distância."
"Ele estava lá?"
"Não. Mas o recipiente de metal é."
Minhas mãos congelaram.
"O que havia lá dentro?"
A detetive Priya abriu um arquivo.
"Dinheiro. Joias antigas. Vários relógios. Documentos. Alguns dos itens estavam relacionados a um roubo ocorrido há 18 anos."
Eu fiquei olhando para ela.
"Não faz sentido nenhum."
"O antigo dono da sua casa tinha um filho chamado Dean."
"Filho de Walter?"
Ela assentiu com a cabeça.
"Dean era suspeito de envolvimento no roubo, mas nunca foi acusado. Ele desapareceu alguns meses depois."
"E o recipiente foi enterrado no meu jardim?"
"É nisto que acreditamos."
Tentei descobrir qual foi o papel de Mark em tudo isso.
"Eu conhecia Dean?"
"É nisso que acreditamos. O verdadeiro nome de Mark é Marcus."
Esse nome não significava nada para mim.
A detetive Priya prosseguiu.
"Marcus e Dean cresceram juntos. Eles foram interrogados após o roubo. Marcus alegou não ter tido nenhum envolvimento."
Agarrei-me à borda da mesa.
"Então ela se mudou para a casa ao lado porque sabia que era lá que estava o dinheiro?"
"É possível. Ele pode ter passado anos tentando determinar sua localização exata."
Escapou-me uma risada amarga.
"Eu poderia ter perguntado."
"Talvez ele estivesse com medo de que você contatasse a polícia."
"Ele estava certo."
A detetive Priya me deu um sorriso melancólico.
Veja o resto na próxima página.