Teresa não era uma daquelas mulheres más que gritam. Ela era pior. Era educada, refinada, perfumada, com pérolas no pescoço e veneno na língua. Desde o momento em que Mateo me apresentou num almoço em família em Las Lomas, ela decidiu que eu não era boa o suficiente.
“Uma psicóloga em uma clínica pública?”, disse ela naquela vez, olhando para meus sapatos como se fossem uma doença. “Que… generosidade.”
Para ela, ser generosa significava ser pobre.
Mateo vinha de uma família de advogados, empresários e mulheres que organizavam cafés da manhã beneficentes para se sentirem boas pessoas. Eu vim de Iztapalapa. Meu pai era professor do ensino médio e minha mãe, enfermeira. Dinheiro não era o que não faltava em casa, mas amor era abundante. Teresa achava isso vulgar.
Quando Mateo me pediu em casamento, ela não chorou lágrimas de alegria. Ela chorou lágrimas de raiva, embora tenha tentado disfarçar com champanhe.
Ele queria impor um casamento com quinhentos convidados em um clube exclusivo na Cidade do México. Queria que ela usasse o vestido antigo da família, um vestido pesado, amarelado, com mangas que pareciam cortinas de igreja. Queria escolher o cardápio, a música e até o penteado dela.
Eu disse não.
Optamos por um casamento pequeno em Cuernavaca, com oitenta convidados, comida mexicana requintada, flores brancas e uma banda de mariachis no final. Teresa sorriu durante semanas como se tivesse aceitado. Ela até se ofereceu para ajudar.
“Deixe-me buscar seu vestido na boutique”, ele me disse três dias antes. “Está no meu caminho, querida.”
Mateo ficou tão feliz em vê-la sendo gentil que eu não quis estragar sua alegria. Concordei.
E agora eu estava vendo o resultado.
Camila pegou o celular. "Vou ligar para o Mateo. Vamos pegar outro vestido. Você não vai sair assim."