Minha futura sogra escondeu meu vestido de noiva e me deixou uma fantasia de palhaço… mas ela jamais imaginou que eu a usaria na frente de todos.

“Não ligue para ninguém”, eu disse.

“Valéria, isto é uma loucura.”
Peguei as calças de bolinhas e as segurei na minha frente.

“Não. O mais louco é que a Teresa achou que eu ia me esconder.”

Meus primos começaram a protestar. Que as fotos seriam arruinadas. Que as pessoas zombariam deles. Que Mateo sofreria. Que minha mãe desmaiaria.

Olhei para a fantasia e senti algo mais forte do que vergonha.

Senti clareza.

“Ela queria que eu fosse o alvo das piadas neste casamento”, eu disse. “Perfeito. Então eu conto a piada.”

Camila olhou para mim como se não me reconhecesse.

“Você vai mesmo usar isso?”

"Sim."

A maquiadora, uma garota de Guadalajara chamada Renata, ainda estava parada num canto com o pincel na mão.

“Renata”, eu disse a ela, “faça a maquiagem de noiva mais linda que você já fez. Quero estar impecável do pescoço para cima.”

Renata olhou para a fantasia e depois para os meus olhos.
E ela sorriu.

“Minha rainha, você vai ficar parecendo que está na capa de uma revista… usando sapatos de circo.”

Durante a hora seguinte, o quarto deixou de ser uma suíte nupcial e se transformou em um verdadeiro campo de batalha. Enfeitaram meu cabelo com flores brancas. Aplicaram um delineador perfeito, uma pele luminosa e lábios suaves. Depois, me vestiram com uma camisa, calças e suspensórios.

Não usei a peruca nem o nariz postiço. Isso teria dado muito poder à Teresa.

Mas eu calcei os sapatos gigantes.

Quando meu pai entrou e me viu, empalideceu.

“Valéria… filha… o que fizeram com você?”

“Teresa”, respondi. “Mas eu não vou chorar hoje.”

Meu pai cerrou os dentes. Então, ele me ofereceu o braço.

“Então vamos andar como se você fosse uma rainha.”