As portas de madeira se abriram. A música começou.
Todos se viraram.
Primeiro houve silêncio. Depois murmúrios. Depois, uma risada abafada.
E na primeira fila, com seu vestido cor de champanhe e pérolas perfeitas, vi Teresa perder o sorriso.
Eu não conseguia acreditar no que estava prestes a acontecer…
PARTE 2
Cada passo parecia ridículo.
Chilro.
Chilro.
Chilro.
Os sapatos gigantes de palhaço tilintavam no chão de pedra enquanto eu caminhava de braços dados com meu pai. Mas não abaixei a cabeça. Caminhei devagar, segurando o buquê de gardênias com firmeza nas mãos, olhando fixamente para a frente como se estivesse vestindo o terno mais caro de todo o México.
As pessoas não sabiam se riam, choravam ou fingiam que não tinham visto nada.
Minha mãe estava na segunda fila. Quando entendeu, cobriu a boca com a mão. Não por vergonha, mas por fúria. Conheço essa expressão. Era a mesma que ela fazia quando alguém maltratava uma jovem enfermeira no hospital.
Teresa, por outro lado, parecia feita de mármore.
Branco. Duro. Morto por dentro.
Ela esperava que eu gritasse, cancelasse o casamento, que Mateo saísse correndo à minha procura e que todos dissessem: "Pobre Teresa, essa moça não nasceu para esta família".