O dono das terras entregou sua filha indesejada ao seu escravo mais forte… Ninguém imaginava o que ele faria com ela.

Silas desceu as escadas e agarrou as alças da cadeira de rodas de Charlotte. Empurrou-a bruscamente para a frente, com as rodas derrapando no chão, até ficar a poucos metros de Isaac.

Charlotte deu um suspiro de espanto, agarrando-se aos braços da poltrona, com o coração batendo forte nas costelas como o de um pássaro preso.

“Esta é Charlotte”, anunciou Silas à multidão com a voz embargada pela raiva. “Ela não me serve para nada. Come a minha comida, ocupa os meus aposentos e não me oferece nada em troca. Acabou para mim.”

Uma exclamação coletiva percorreu a multidão. Mamie tentou avançar, mas o capataz a impediu.

“Isaac”, disse Silas, dando um passo para trás. “Agora ela é sua. Você vai levá-la para o velho celeiro de tabaco na beira do pasto. Vai alimentá-la, banhá-la, fazer o que quiser com ela. Não me importo. Contanto que eu nunca mais a veja na minha casa.”

Charlotte sentia como se o mundo estivesse girando ao seu redor. O antigo celeiro de tabaco estava em ruínas, a um quilômetro e meio da casa principal, infestado de pragas e com goteiras. Era uma cena de morte.

—Pai, por favor — ela sussurrou, com a voz quase inaudível.

“Silêncio!” rugiu Silas. “Eu não sou mais seu pai. Sou seu mestre e o transferi para outro cargo.” Ele se virou para Isaac. “Leve-a embora. Tire-a da minha vista.”

Isaac olhou para o Coropil e depois para a jovem mulher aterrorizada sentada ali.
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Ele não pegou a cadeira de rodas. Em vez disso, abaixou-se e carregou Charlotte nos braços como se ela pesasse mais do que um saco de algodão.

Ela fechou os olhos com força, apavorada com a possibilidade de ele a soltar, apavorada com aquele estranho gigantesco, apavorada com o futuro. Mas ele não a soltou. Ele a abraçou forte, quase delicadamente, contra o peito.

Sem olhar para trás, para os Coropel, Isaac se virou e começou a longa caminhada em direção à beira do pasto, suas botas rangendo no chão.

A caminhada durou vinte minutos. Charlotte manteve os olhos fechados na maior parte do tempo, com lágrimas que escorriam e encharcavam a camisa de linho áspero de Isaac.

Ele esperou que ela falasse, que o amaldiçoasse, que reclamasse do fardo. Mas permaneceu em silêncio. Os únicos sons eram sua respiração regular e o bater rítmico de seus passos.

Ao chegar ao velho celeiro, a realidade de sua situação a atingiu em cheio. A estrutura era esquelética. A madeira estava cinzenta e desgastada, com buracos visíveis entre as ripas. O telhado estava remendado com lata e musgo. Lá dentro, cheirava a feno velho e terra úmida.

Isaac a levou para dentro. Havia um catre rudimentar e uma estrutura de cama, um pequeno fogão a lenha e uma mesa com uma perna apoiada.
Seus movimentos eram precisos. Ele pegou um cobertor de lã áspero e cobriu as pernas dela.

Pela primeira vez, Charlotte olhou-o nos olhos. Esperava ver a desajeitada grosseria de um bruto ou a raiva de um homem forçado a assumir mais uma tarefa. Em vez disso, viu algo que a surpreendeu. Seus olhos eram inteligentes, escuros e profundamente tristes.

Ele ficou ao lado dela por um instante, depois se virou e saiu do celeiro.

O pânico a dominou. “Não me deixe!”, ela gritou. “Por favor!”

Ele parou na porta, virou-se e levantou a mão com a palma aberta. Espere.

Dez minutos depois, ele retornou com sua cadeira de rodas, que havia ido buscar na poeira onde seu pai a havia abandonado.

Ele colocou o carrinho perto da cama, verificou as rodas e depois foi até o pequeno fogão para acender o fogo e se proteger da umidade que começava a chegar ao entardecer.

Aquela primeira noite foi a mais longa da vida de Charlotte. Ela deitou-se no colchão de palha, ouvindo o coro de grilos e chocalhos. Isaac dormia em um monte de feno do outro lado do celeiro, perto da porta, como um cão de guarda.

Durante a primeira semana, sua rotina era um dia de silêncio e sobrevivência. Isaac saía antes do amanhecer para trabalhar em seu turno exaustivo no campo para a Coropel.

Ele retornou ao entardecer, exausto, com as mãos calejadas e sagradas. Contudo, antes de comer sua magra ração de fubá e carne de porco salgada, ele cuidou de Charlotte.

Ela lhe trazia água fresca da nascente ou da água turva do rio. Recolhia frutos silvestres e vegetais para adicionar à sua panela. Ele nunca falava, mas ouvia.

 

 

 

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