Sua mãe me deixou entrar sem dizer uma palavra e me mostrou as escadas.
Não me cabia abrir aquilo.
Empurrei a porta dele.
Ele estava dormindo na máquina de costura, com a bochecha encostada na mesa, uma das mãos ainda segurando um carretel de linha. Minhas fotos estavam impressas e espalhadas no chão ao lado dele, os nomes circulados a lápis. O vestido estava drapeado em um manequim atrás dele.
Marfim. Estruturado. Rosas desabrochando em fileiras ao longo da saia, como um jardim que cresceu da noite para o dia.
Eu me aproximei.
Havia algo dentro de uma das rosas. Pontos minúsculos, talvez palavras, escondidos nas dobras da seda, onde era preciso levantar a pétala para vê-los.
Ele estava criando algo para o qual eu ainda não tinha um nome.
Estendi a mão e parei.
Não me cabia abrir aquilo.
Eu cobri Eli com um cobertor da cama dele e apaguei a luz.
Caminhando para casa pelo pátio escuro, eu entendi.
Ele não estava fazendo um vestido.
Ele estava criando algo para o qual eu ainda não tinha um nome.
O baile de formatura chegou mais cedo do que eu imaginava. Eli estava parado nos degraus da entrada, vestindo um terno de segunda mão, com uma capa de roupa pendurada no braço como se fosse um objeto sagrado.
Ele a chamou pelo nome de Mason.
Hazel abriu a porta do quarto para afastá-lo. Foi então que ela viu o vestido.
Seda cor marfim. Rosas opulentas descem em cascata pela saia como um jardim em movimento.
"Eli", ela murmurou. "Onde você estava…"
"Coloque isso aí, Noisette."
Ele a chamava de Mason. Quase desabei em lágrimas. Lembrei-me de quando Mason a ensinou a dirigir um carro com câmbio manual na nossa garagem, no verão antes de morrer, bagunçando o cabelo dela como se fosse o de um irmãozinho.
Ela balançou a cabeça, recuando em direção à cama. "Eu não consigo. Eli, eu não consigo."
Eu a observei do corredor enquanto ela levava as duas mãos à boca.
Ele não insistiu. Colocou o roupão na cadeira do escritório e sentou-se no chão, terno e tudo, encostado na estante. "Então vou sentar aqui. Seu irmão me fez prometer, antes do acidente. Ele disse que se você ficasse em silêncio, eu teria que falar alto o suficiente por nós dois."
Ela emitiu um som baixo e entrecortado.
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