Ela sacrificou seu casamento para salvar sua família, mas o homem com quem se casou esconde um terrível segredo! Qual é a sua verdadeira identidade?

Na manhã seguinte, ela respirou fundo e o chamou suavemente. Nunca havia falado com ele daquela forma. Karim se virou para ela, surpreso com a gentileza de sua voz. "Sim, Amina." Ela baixou a cabeça, envergonhada, frágil. "Você foi tão paciente comigo. Enquanto eu era tão cruel." Ele sorriu.

Um sorriso discreto, mas que carregava uma ferida silenciosa. “Estou acostumado a ser tratado assim”, murmurou ele. “Não guardo rancor de ninguém.” Aquela frase abriu um buraco em seu peito. Ela se sentiu minúscula, tão minúscula. Então, pouco a pouco, tentou remendar o que havia quebrado.

Conversou um pouco mais com ele, preparou uma refeição simples e o convidou para se sentar à mesa com ela. Ele a olhou com ternura, como se soubesse que, por trás de sua desajeitada falta de jeito, ela buscava perdão. Por um breve instante, a casa pareceu mais tranquila, com um toque de aconchego. Naquela noite, carros pararam em frente à casa deles.
Veículos luxuosos, silenciosos, quase ameaçadores. Três homens de terno saíram. Bateram suavemente na porta, mas a atenção em seus olhos dizia tudo. Um deles fez uma leve reverência. "Jovem mestre, sua família o aguarda. O senhor deve retornar agora." Amina sentiu um nó na garganta. Aquele título, aquele tom.

Tudo naquelas palavras destruiu a pouca certeza que lhe restava. Os olhos de Karim brilhavam com uma dor que ele parecia estar reprimindo há muito tempo. "Amina, me desculpe, eu preciso ir. Isso não é um adeus. Eu voltarei." Ela agarrou a mão dele freneticamente, quase desesperadamente. "Não vá. Conte-me o que está acontecendo primeiro."

"Quem é você de verdade? Por que se casou comigo?" Ele apertou os dedos dela com força, como se temesse nunca mais sentir sua pele. "Não posso explicar agora. Reze por mim, Amina." Os olhos dele se encheram de lágrimas, e os dela também. Então ele a soltou. Aquela mão que ela se recusava a soltar, suas mãos escorregando lentamente como se o próprio destino a estivesse puxando para longe dele.

Ele saiu, e a porta atrás dele se fechou como um túmulo. O silêncio preencheu a casa naquela noite. Nenhuma voz, nenhum passo, apenas Amina e sua ausência, o que lhe agradava. Por horas, ela ficou sentada no quarto, os olhos perdidos nas roupas que ele havia deixado para trás. Aqueles tecidos gastos que ela antes desprezava, agora ela apertava entre os dedos com uma dor inexplicável.