PARTE 1
Ele me deu um tapa tão forte que meu lábio rachou contra meus dentes.
Tudo isso porque perguntei ao meu marido, Ethan Blackwood, onde ele tinha ido na noite anterior.
Por três segundos, reinou o silêncio na cozinha, exceto pelo som da chuva batendo nas janelas e o leve chiado da gordura do bacon esfriando na frigideira de ferro fundido. Ethan estava parado sobre mim, vestindo sua camisa branca impecável, sua aliança de casamento brilhando ameaçadoramente.
"Não me façam perguntas na minha própria casa", disse ele.
Minha mão moveu-se lentamente até minha boca. Sangue tocou meus dedos. Olhei para ele, depois olhei para ele.
O sorriso dela reapareceu quando parei de gritar.
Era sempre isso que ele preferia: meu silêncio. Para Ethan, silêncio era sinônimo de medo. Era sinônimo de obediência. Era sinônimo de ter casado com uma moça doce e bem-educada do Sul, de rosto bonito, mas sem personalidade.
Ele havia se esquecido de que eu tinha sido criado por um juiz.
Ele havia se esquecido de que eu passei dez anos auditando fraudes corporativas antes mesmo de saber o sobrenome dele.
E ele jamais imaginara que, durante seis meses, cada uma de suas mentiras havia sido arquivada, copiada, gravada e salva em três lugares diferentes.
Ethan se virou para o espelho do corredor, ajustando os botões de punho como se não tivesse batido na esposa.
"Você vai preparar o café da manhã", disse ele. "Minha mãe vai vir aqui. Não me envergonhe."
Provei o sangue e sorri, escondendo a mão.
"Claro", murmurei.
Isso o satisfez. Ele pensou que tinha vencido.
Às sete da manhã, a casa cheirava a manteiga, açúcar mascavo, molho de pimenta-do-reino, biscoitos de leitelho, frango frito, batata-doce caramelizada, couve, geleia de pêssego e café forte. Trouxe os talheres de prata antigos que sua mãe venerava mais do que as Escrituras. Lustrei os copos de cristal. Arrumei magnólias no centro da mesa.
O restante pode ser encontrado na próxima página.