Meu pai me proibiu de entrar na minha própria cerimônia de formatura da faculdade de medicina porque minha madrasta queria que a filha dela usasse meu ingresso. "Você é só uma auxiliar de enfermagem mesmo, deixe sua irmã ter o momento dela", meu pai zombou, me empurrando em direção à saída.

"Só faça isso, Clara", murmurou Thomas, acenando com a mão em sinal de desdém. "E tente não fazer tanto barulho. Estou esperando um e-mail de um representante farmacêutico."

Fiquei paralisada, o cansaço me consumindo por dentro. Senti um nó na garganta. Afundei meus dedos calejados na alça da minha bolsa, sentindo a borda rígida do envelope que carregava comigo o dia todo. Respirei fundo, com a voz trêmula, e o tirei. Era um único envelope com detalhes dourados em relevo, contendo um passe VIP.

"Pai", comecei, minha voz quase rouca. “Minha cerimônia de formatura é nesta sexta-feira. Por causa dos protocolos de segurança deste ano, só tenho direito a um ingresso para acompanhante. Eu realmente esperava que você viesse—”

Antes que eu pudesse terminar a frase, Thomas se levantou da cadeira. Atravessou a sala em três passos largos, o rosto contorcido numa expressão de irritação agressiva. Arrancou o envelope grosso das minhas mãos trêmulas.

Não o abriu. Não olhou para o selo da universidade. Simplesmente se virou e o estendeu para Haley, que havia pausado sua transmissão ao vivo para observar a cena com um sorrisinho presunçoso e cúmplice.