Filho não reconhecido de ambos os pais.
Verônica levou a mão à boca.
Victor permaneceu imóvel.
Durante toda a sua vida, ele acreditou que Álvaro o odiava por dinheiro. Nunca soube que também o odiava por laços de sangue, pelo seu sobrenome, pela sua herança e por ter sido tratado como "o bastardo" que nunca teve o direito de se sentar à mesma mesa.
A investigação revelou que Álvaro havia viajado diversas vezes para laboratórios clandestinos no exterior. Ele estudara parasitas raros e métodos para introduzi-los sem deixar vestígios óbvios. O plano não era matar Mateo de imediato. Era pior. Ele queria que o menino morresse lentamente, cercado pelos melhores médicos, para que Víctor entendesse que todo o seu dinheiro não valia nada.
O crime perfeito.
Até que uma pobre garota se lembrou da dor que os outros haviam ignorado.
Mas eles ainda precisavam capturá-lo.
A polícia acreditava que Álvaro voltaria para administrar outra dose do líquido que mantinha o parasita vivo. Então, armaram uma cilada. Mateo foi transferido secretamente para outro quarto, onde já estava estável. Um manequim coberto foi colocado em sua cama, conectado a aparelhos com leituras falsas. As luzes foram atenuadas. O corredor continuou funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Agentes disfarçados de enfermeiras esperaram a noite toda.
Às 11h58, o elevador abriu.
Álvaro apareceu vestindo um casaco branco, uma máscara facial e carregando a mesma pasta preta.
Ele caminhava sem pressa. Com uma calma tão fria que até os policiais sentiram raiva. Entrou na sala, fechou a porta e retirou uma seringa cheia de um líquido escuro.
"Quase lá, sobrinho", murmurou ele. "Seu pai teve que aprender a perder."
Os policiais entraram.
Álvaro tentou fugir, mas nem sequer chegou ao corredor. Jogaram-no ao chão em frente à porta, algemado, gritando que Víctor lhe tinha roubado tudo.
Ao abrirem a pasta, encontraram frascos com larvas, documentos falsificados, mapas de hospitais particulares e uma lista com nomes de crianças: filhos de empresários, políticos e antigos associados de Victor.
Mateus foi apenas o primeiro.
A notícia se espalhou rapidamente por todo o México.
No dia seguinte, os repórteres que antes só queriam fotografar o menino rico agora procuravam por Lupita. Mas Teresa não deixava ninguém se aproximar sem permissão. Ela havia passado muitos anos de cabeça baixa e, naquela noite, pela primeira vez, ergueu-se diante das câmeras, dos médicos e dos administradores.
"Minha filha se manifestou desde o início", disse ela. "Vocês a silenciaram porque ela era pobre."
Ninguém respondeu.
Dom Víctor chegou até eles. Ele já não se parecia com o homem poderoso que fora no primeiro dia. Seu rosto estava devastado e seus olhos, vermelhos. Ele se ajoelhou diante de Lupita, ignorando os guarda-costas e as câmeras.
"Me perdoe", disse ela, com a voz embargada. "Eu te tratei como se você não valesse nada, e você salvou a única coisa que eu não podia me dar ao luxo de perder."
Lupita olhou para ele em silêncio.
—Eu só não queria que Mateo morresse como meu pai.
Isso foi o que mais doeu.
Porque então o Dr. Rivas pediu para revisar o prontuário do pai de Lupita. Juan Manuel Torres, um pedreiro de 34 anos, havia falecido meses antes em um hospital público por "insuficiência respiratória de causa desconhecida".
Victor usou sua influência para reabrir o caso. Não para se eximir da culpa, mas porque não podia mais fingir que a dor de uma família pobre importava menos.
Os especialistas compararam os sintomas de Juan Manuel, seus registros médicos e seu histórico profissional. Descobriram que ele havia trabalhado em Veracruz descarregando contêineres de plantas exóticas importadas para um projeto de pesquisa farmacêutica. O contrato pertencia a uma empresa ligada a Álvaro Cienfuegos.
Juan Manuel não foi atacado deliberadamente. Ele foi a primeira vítima acidental. Foi infectado ao manusear material contaminado sem proteção, sem seguro adequado e sem médicos que o levassem a sério.
E quando a filha dela disse que tinha visto algo estranho, mandaram-na ficar quieta.
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