“Eu não… eu não sei do que você está falando!”, ofeguei, lágrimas de terror genuíno brotando em meus olhos. “Meu pai… as dívidas dele… minha madrasta me obrigou! Eu não conheço nenhum cartel!”
Arnav manteve a arma pressionada contra minha pele por três segundos agonizantes. Ele procurava um sinal revelador — um tremor no olho, um tremor na mandíbula, o pânico calculado de um assassino. Mas tudo o que encontrou foi uma jovem de 24 anos aterrorizada que acabara de perceber que havia se casado com um fantasma.
Lentamente, a tensão em seus ombros diminuiu, embora a fria vigilância em seus olhos nunca tenha desaparecido. Ele travou a pistola com um clique seco e a guardou no coldre. Em um movimento fluido, levantou-se. Não tropeçou. Não cambaleou. Permaneceu ereto, com mais de um metro e oitenta, possuindo uma presença física imponente que preenchia todo o cômodo.
Caminhou até as pesadas janelas de carvalho, espiando por uma pequena fresta nas cortinas de veludo para os pátios escuros e extensos da propriedade mexicana.
"Levante-se", ordenou ele em voz baixa, sem olhar para trás. "E alise o vestido. Se alguém olhar por aquele buraco de fechadura, precisamos parecer que estamos vivenciando um casamento, não um interrogatório."
Levantei-me num pulo, as mãos tremendo tanto que mal conseguia alisar a seda amassada do meu sari de noiva. Minha mente girava a mil por hora. Jaipur. México. Um acidente de carro. Uma mentira de cinco anos.
“Você… você consegue andar”, sussurrei, com a voz embargada. “A cadeira de rodas… os boatos… tudo mentira.”
Arnav se virou, encostando-se casualmente no parapeito da janela, com os braços cruzados. O contraste entre sua postura régia e intimidadora e a cadeira de rodas vazia a poucos metros de distância era impressionante.